
O acervo de processos contra deputados e senadores no Supremo Tribunal Federal (STF) aumenta a cada dia. Levantamento feito pelo site Congresso em Foco mostra que os ministros do Supremo abriram, em média, dez investigações por mês contra parlamentares desde o dia 22 de maio, quando foi realizada a última pesquisa do site sobre as pendências judiciais de congressistas na mais alta corte do país.
Nas últimas 12 semanas de atividade do Supremo, foram abertos 30 procedimentos judiciais contra 25 parlamentares. São 26 inquéritos (investigações preliminares) e quatro ações penais (procedimentos que podem resultar em condenações) contra 21 deputados e quatro senadores da República.
Desses 30 congressistas, 21 já apareciam respondendo a algum tipo de processo no levantamento anterior, que apontou a existência de 318 inquéritos ou ações penais contra 150 parlamentares.
Os novos procedimentos abertos pelo Supremo nas últimas 12 semanas, excluindo-se as de julho (mês de recesso dos ministros), alcançam pelo menos nove tipos de crime. As acusações mais frequentes são as de crime de responsabilidade e peculato (apropriação, por funcionário público, de qualquer bem móvel de que tem a posse em razão do cargo, em proveito próprio ou alheio), com seis registros cada. Na sequência, aparecem as suspeitas por crime contra a Lei de Licitações, com cinco investigações.
Também foram instauradas investigações por lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, crime eleitoral, apropriação indébita previdenciária, improbidade administrativa, crime contra a honra e por competência de prerrogativa. Uma das denúncias não tem natureza informada pelo Supremo.
A lista inclui congressistas de 20 estados brasileiros. Rio de Janeiro, com quatro parlamentares, e Rio Grande do Sul e Goiás, com dois cada, são as bancadas estaduais que mais contribuíram para engrossar a relação dos congressistas com pendências judiciais no período.
Nove partidos têm representantes entre os processados mais recentemente. O PSDB, com cinco nomes, o PT, com quatro, são as legendas que aparecem mais vezes na relação dos novos processados. Com três representantes cada, surgem na sequência o PDT, o DEM, o PMDB e o PR.
De maio pra cá, três deputados viraram réus no STF: Fernando Chiarelli (PDT-SP), por crime contra a honra, Tatico (PTB-GO), por apropriação indébita previdenciária, e Lira Maia (DEM-PA), que passou a responder a duas ações penais por crime de responsabilidade, denúncias referentes ao período em que foi prefeito de Santarém (PA), entre 1997 e 2004. De acordo com o último levantamento do Congresso em Foco, 52 parlamentares respondiam a ações penais até o final de maio.
O levantamento apresentado hoje tem como base o acompanhamento processual disponível na página do STF até o último dia 17. Apesar do elevado volume de processos e do crescimento dos procedimentos no curto espaço de tempo, o Supremo nunca condenou um congressista.
A maioria dos inquéritos e das ações penais acaba arquivada por prescrição ou falta de provas. Em outros casos, as investigações se arrastam na corte por todo o mandato parlamentar até voltar às instâncias inferiores da Justiça quando o congressista deixa de se reeleger.
Veja a relação dos parlamentares que tiveram inquérito ou ação penal aberto no STF Supremo Tribunal Federal desde junho:
Deputados
Arnaldo Vianna (PDT-RJ)
Inquérito 2826 – crimes de responsabilidade
Inquérito 2827 – crimes de responsabilidade/crimes de lei de licitações
Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO)
Inquérito 2840 – crimes contra a honra
Camilo Cola (PMDB-ES)
Inquérito 2836 – captação ilícita de votos ou corrupção eleitoral
Cassio Taniguchi (DEM-PR) – deputado licenciado, é secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do DF
Inquérito 2850 – crime da Lei de Licitações
Cida Diogo (PT-RJ)
Inquérito 2821 – crime de competência por prerrogativa de função
Dalva Figueiredo (PT-AP)
Inquérito 2838 – peculato
Décio Lima (PT-SC)
Inquérito 2851 – improbidade administrativa
Fernando Chiarelli (PDT-SP)
Inquérito 2832 – crimes contra a honra
Ação Penal 514 – crimes contra a honra
Fernando Marroni (PT-RS)
Inquérito 2825 – crimes da lei de licitações
José Otávio Germano (PP-RS)
Inquérito 2842 – peculato
Lira Maia (DEM-PA)
Ação Penal 517 – crime de responsabilidade, durante mandato de prefeito
Ação Penal 518 – crime de responsabilidade, durante mandato de prefeito
Luiz Bittencourt (PMDB-GO)
Inquérito 2835 – peculato
Neudo Campos (PP-RR)
Inquérito 2823 – crimes contra a administração em geral e peculato
Paulinho da Força (PDT-SP)
Inquérito 2839 – crimes da Lei de Licitações
Professora Raquel Teixeira (PSDB-GO)
Inquérito 2848 – crimes da Lei de licitações
Silvio Lopes (PSDB-RJ)
Inquérito 2837 – investigação penal por prerrogativa de função
Inquérito 2855 – crimes na Lei de Licitações
Solange Almeida (PMDB-RJ)
Inquérito 2834 – crimes praticado contra a administração pública. Emprego irregular de verbas ou rendas públicas.
Tatico (PTB-GO)
Ação Penal 516 – apropriação indébita previdenciária. Iniciado em 2003
Tonha Magalhães (PR-BA)
Inquérito 2805 – crimes de responsabilidade
Zé Gerardo (PMDB-CE)
Inquérito 2847 – crimes de lavagem ou ocultação de bens
Inquérito 2846 – crimes de lavagem ou ocultação de bens
Zé Vieira (PR-MA)
Inquérito 2841 – crimes de responsabilidade
Senadores
Expedito Júnior (PR-RO)
Inquérito 2828 – investigação penal (autuado pelo Ministério Público Federal em 30/06/2009). O Supremo Tribunal Federal não fornece informações adicionais sobre o inquérito.
Jayme Campos (DEM-MT)
Inquérito 2830 – crimes de responsabilidade durante gestão em prefeitura como emprego irregular de verbas ou renda pública.
Mão Santa (PMDB-PI)
Inquérito 2849 – crimes contra a administração em geral. Peculato.
Roberto Cavalcanti (PRB-PB)
Inquérito 2845 – apropriação indébita previdenciária
POR ESSAS E OUTRAS:
