Refém revela detalhes do sequestro de terça-feira, no Rio de Janeiro e diz que primeiro PM a entrar no ônibus teve a arma roubada por um dos bandidos.
Uma das passageiras que estava no ônibus da Viação Jurema, sequestrado na noite desta terça-feira na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio, fez, nesta quarta, um relato detalhado e emocionado dos momentos que passou sob a mira das armas e granada de três bandidos. Essa secretária de 23 anos, mãe de um menino de 7, lembrou-se de tudo: desde o momento em que entrou no coletivo, no ponto final na Praça XV, até a hora em que, aliviada, descobriu-se sem ferimentos depois de ficar no meio de tiros e ter uma arma apontada para a cabeça.
A passageira trouxe, ainda, um fato novo para mais esse capítulo de violência na história do Rio de Janeiro e que reforça ainda mais o despreparo da PM carioca: o primeiro policial a entrar no ônibus teve a arma roubada por um dos criminosos. Leia, na íntegra, o que disse a passageira:
“Saí do trabalho e peguei o ônibus no ponto final, na Praça XV, para ir para casa (em Duque de Caxias). É o ônibus que pego todos os dias, que vai direto. A viagem seguia normal e, na altura da Central do Brasil, os três assaltantes subiram. Sentaram como passageiros normais. No próximo ponto, na Estácio, o motorista parou para mais gente subir. Entraram mais duas pessoas. Como eu estava bem na frente, vi quando o motorista desceu e chamou dois PMs que estavam em frente à faculdade. Ficamos parados uns 10, 15 minutos. Aí um PM subiu e disse: ‘Boa noite, passageiros. Peço a gentileza de colocarem as mãos no banco da frente. Vou só fazer uma revista de rotina’.
Todo mundo obedeceu. Mas aí o assaltante que estava na primeira fileira rendeu ele (o PM), tirou o pino da granada e jogou (o pino) no policial. Ele gritava: ‘Vou explodir! Vou explodir todo mundo!’ Os outros dois bandidos que estavam atrás seguraram um refém cada. O bandido da frente, então, tomou a arma do PM e o expulsou do ônibus. Aí começou a confusão. O mais nervoso, que estava na frente, gritava: ‘Não vou parar, vou matar todo mundo!’. A senhora que estava do meu lado começou a passar mal. Eu tinha que me acalmar e acalmá-la. O bandido que estava na frente pegou uma refém, colocou uma arma na cabeça dela e fugiu. Os outros dois ficaram no fundo do ônibus.

Os passageiros também foram colocados no fundo do ônibus. Um dos bandidos disse: ‘A gente só quer fugir. Preciso de alguém para negociar’. Uma passageira se ofereceu. Ela desceu e não voltou mais. Nós, passageiros, pedimos que o motorista voltasse para levar os bandidos embora. Uma moça grávida e uma senhora passaram mal e foram liberadas. Um dos bandidos apontou para o Hélio (Gomes da Motta Junior, de 30 anos) e perguntou se ele sabia dirigir. O Hélio disse que só carro. O bandido respondeu: ‘Então hoje você vai aprender a dirigir ônibus’. Eles queriam seguir até o Caju. O Hélio assumiu o volante com uma arma na cabeça e dirigiu um pedaço. Foi quando a PM fez o primeiro bloqueio e o ônibus bateu a primeira vez. Os bandidos mandaram seguir.
Aí vieram os tiros. Todos do lado de fora. Os bandidos se abaixaram no chão junto com a gente. A gente sentia as balas batendo embaixo do ônibus. Não sabíamos o que fazer. Uma mulher começou a gritar: ‘Tô baleada! Tô baleada!’. Outros ficaram feridos. Abrimos as cortinas e pedimos para os policiais no atirarem mais. Gritávamos: ‘Não atira!’. Os feridos foram liberados pelos bandidos. Pediram novamente para o ônibus seguir, mais não dava. O bandido mais calmo colocou um elástico na granada. Então, o Bope (Batalhão de Operações Especiais) chegou.
Os bandidos se acalmaram e começaram a conversar com a gente. Viram que não tinham para onde correr, mas estavam com medo de se entregar. O mais calmo, que estava de gravata, desceu. Os passageiros convenceram o outro a se render também. Acho que se o Bope estivesse desde o início, não teria acontecido o que aconteceu. Os outros PMs demonstraram um despreparo absurdo. Os tiros deles vinham de todos os lados.
Fonte: O texto é de Ana Carolina Torres do Jornal Extra e se quiserem ver mais incompetência, olhem aqui
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