
A longa crise do Senado consolidou, em vez de diminuir, o poder do grupo que há anos dá as cartas na Casa, na atual legislatura. Na medida em que o poder real de José Sarney (PMDB-AP) e de Renan Calheiros (PMDB-AL) se manteve praticamente intacto, diminuiu a margem que a oposição tinha para negociar políticas públicas, o que deve radicalizar ainda mais a disputa no Senado, sobretudo com a proximidade das eleições de 2010.
Essas são algumas das principais conclusões a que se pode chegar com a divulgação da 16ª edição da série “Cabeças do Congresso Nacional”, pesquisa, entre os congressistas, realizada anualmente pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). O objetivo é “identificar os 100 parlamentares com mais habilidades para elaborar, interpretar, debater ou dominar regras e normas do processo decisório, bem como para manipular recursos de poder, de tal modo que suas preferências ou do grupo que lideram prevaleçam no conflito político”.
As novidades no Senado, este ano, foram poucas, não passaram de três, apesar de a Casa viver momentos de crise intensa desde o ano passado, como a renúncia de Renan à presidência, e a eleição de Sarney, que assumiu sob protestos e só se manteve no cargo graças ao apoio decidido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E entraram no grupo dos 100 duas mulheres e um obscuro senador senador por Brasília: a ex-ministra Marina Silva (AC), provável candidata do PV a presidente da República, e a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), ruralista com chance de compor a chapa do candidato do PSDB em 2010.
O senador é Gim Argello (PTB-DF), suplente do ex-senador Joaquim Roriz que fez reputação ao se aproximar do grupo de controla o senado e da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), eventual candidata do PT a presidente. A aproximação de Argello da ministra é exemplar dos modos e costumes políticos da capital. Morando nas vizinhanças de Dilma, o senador orientou seu jardineiro a avisá-lo sempre que a ministra saía para caminhar. Quando ela despontava no horizonte, Argello começava sua sessão de alongamentos que terminava quando Dilma passava por ele.
“O apoio do governo na crise Sarney consolidou o poder desse grupo”, diz Antônio Augusto Queiróz, diretor do Diap e coordenador da pesquisa e da publicação “Cabeças do Congresso”.
Fonte: Valor Economico
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